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As áreas de lazer não são apenas espaços para brincadeiras e passatempos, mas sim áreas de convivência entre boa parte dos moradores que possuem filhos

 

Com a diminuição do espaço dos apartamentos, muitos empreendimentos optaram por montar áreas comuns que funcionam como as que existiam antigamente dentro de cada unidade. Os mais velhos devem se lembrar dos quintais, cada vez mais restritos, mesmo em casas, e dos quartinhos, áreas onde os pais permitiam a permanência de bagunça, nos quais as crianças tinham certa autonomia. Atualmente, estas áreas acabaram trocadas pelos playgrounds.

Na escassez de espaço, a brinquedoteca é uma boa ideia, mas nem sempre dá certo. É uma releitura da sala de jogos que muitos edifícios possuíam. Porém, é necessário controle, porque os jogos podem simplesmente desaparecer. Apesar disso, tem a vantagem de ser uma área interna, dando segurança para a interação entre diversas faixas etárias. Este local demanda manutenção constante, substituindo o material degradado.

As áreas de lazer não são apenas espaços para brincadeiras e passatempos, mas sim áreas de convivência entre boa parte dos moradores que possuem filhos. Pode ocorrer diversas interações que repercutem de forma inesperada dentro do condomínio. Alguns são desejáveis, outros geram dores de cabeça que desequilibram totalmente o convívio.

O síndico não é o único responsável pela algazarra das crianças. Reuniões com os pais são essenciais para o controle da bagunça.

Em lugares inapropriados para brincadeiras podem ocorrer acidentes e reclamações de condôminos. O síndico deve vetar o acesso de crianças desacompanhadas em certas áreas. Mas a simples proibição pode não ser suficiente e o diálogo entre síndico e pais precisa ser constante.

Existem centenas de opções de brinquedos para playgrounds. O mercado é bastante amplo e não será difícil adquirir ótimos equipamentos. Para agradar a maioria, é bacana reunir os moradores e mostrar as opções antes de fechar negócio.

A conservação, manutenção e verificação dos brinquedos do playground são imprescindíveis. Os equipamentos devem seguir as normas da ABNT. Portanto, madeira podre na gangorra, ferrugem no escorregador e parafusos soltos no gira-gira são inadmissíveis. O condomínio que tem boa condição financeira pode contratar um monitor para evitar acidentes e entreter as crianças.

Outro ponto é garantir que outros itens como cercas, superfícies e cadeiras sejam inspecionados cotidianamente. Retire de uso e conserte todo material que contiver peças pequenas que podem ser engolidas, pontas que possam causar machucados, bordas cortantes ou farpas. A manutenção, muitas vezes, pode ser apenas uma mão de tinta ou uma simples lixada.

Existem também as quadras esportivas, que costumam ser disputadas. O síndico deve fazer um quadro de horários para utilização, também dividido por faixa etária. Na manhã e no começo da tarde, as quadras podem ficar com as crianças. No final da tarde e começo de noite, os mais velhos têm prioridade. Mas cada condomínio deve ser analisado de uma forma, verificando a frequência e os períodos mais procurados.

A manutenção dos espaços esportivos também é importante. Fissuras nas quadras podem causar quedas graves e, por consequência, contusões, hematomas e mais dor de cabeça para o síndico. Os campos emborrachados ou com grama sintética devem ser inspecionados pelo zelador. As traves e tabelas têm que estar pintadas e livres de ferrugem. As crianças pequenas não devem entrar nas quadras durante os jogos dos meninos maiores. Os pequenos podem se machucar com alguma bolada mais forte.

É aconselhável colocar no quadro de avisos o horário permitido estabelecido na convenção e no regulamento do prédio. Na maior parte dos condomínios, o período das brincadeiras pode acontecer das 8h às 22h.

A interação de muitas pessoas gera situações que o síndico tem de saber lidar para que mantenha a mais harmoniosa das relações.

É bom ter em mente que é obrigação zelar pelo patrimônio, mas que não é o gerente condominial que deve intervir diretamente nas ações, exatamente porque ele, na maioria das vezes, mora no edifício e convive com estas pessoas. Tornar-se alvo das crianças ou participar ativamente para que alguém se torne um não é uma boa ideia, especialmente por ser uma forma de atrair a antipatia dos pais sobre o interventor. Por isso, o mais adequado é acompanhar de longe.

A partir deste último tipo de contato, chegamos à interação entre pais de crianças que causam transtornos ao edifício e o administrador. Esta parte é delicada porque, para muitos, seus filhos são santos que não têm a capacidade de prejudicar ninguém. São tais figuras que, longe de supervisão, agem de forma indisciplinada. Isto sem contar as crianças que são super protegidas, cujos pais ignoram atos de vandalismo.

Caso irregularidades ocorram, primeiro documente o fato e entre em contato educadamente com o condômino responsável, de forma rápida e objetiva, conforme o procedimento acordado com a administradora. Os pais é que devem intervir sob os quais são responsáveis.

Em posse de toda a documentação, que pode incluir reclamações de terceiros (adequadamente assinadas), entre em contato com sua administradora e discuta com o seu assessor o que deve ser feito. O tema pode ser abordado em reunião, com a presença de todos. Não sucumba à tentação de enviar a multa logo de cara. É mais interessante dar a chance de defesa, o que legitima o ato.